Por que o Flamengo paga tão caro no mercado?

Olhar para o Flamengo hoje no mercado de transferências é como assistir a um leilão onde o martelo já começa batendo no teto. Com essa projeção financeira absurda para 2026 — onde já se ventila uma receita batendo além dos R$ 2 bilhões — o clube parece ter virado refém do próprio sucesso. É o bônus e o ônus de ser o “Rico da Vila”… Temos um elenco que sobra, renovamos com ídolos como o Filipe Luís até 2027, mas, na hora de contratar, o preço de qualquer jogador comum sobe como se estivéssemos comprando uma joia da coroa.

Para mim, caso a compra do Kaio Jorge ocorra, seria um erro estratégico, capaz de cobrar um preço amargo lá na frente. Pagar 40 milhões de euros por alguém que, em qualquer outra vitrine, não custaria nem 30? É o tipo de movimento que pode asfixiar o planejamento a longo prazo. É, literalmente, dar um tiro no pé enquanto se tenta liderar a corrida.

O “Preço Flamengo” e a resistência do Mercado Nacional

Basta o Flamengo sinalizar interesse em um atacante ou volante para o cenário mudar. Os clubes brasileiros já ligam o alerta: “Se é o Mais Querido, o preço duplica”. Eu vi muita gente da torcida do Cruzeiro debochando disso recentemente. Eles bateram o pé, preferiram segurar o Kaio Jorge a reforçar um rival direto, mesmo com propostas surreais de R$ 250 milhões na mesa por um camisa 9 que teve uma temporada boa. E, sendo honesto, eles estão certos. O Cruzeiro se valoriza, enquanto o Flamengo pode entrar em um ciclo vicioso de pagar mais do que os jogadores efetivamente valem.

Até times em situações mais modestas, como o Coritiba, fazem jogo duro e exigem 7,5 milhões de euros por atletas que, convenhamos, são medianos. É quase um sentimento de revanche do mercado interno: como o Flamengo é um dos poucos que mantém o fair play financeiro rigoroso e paga tudo em dia, os outros tentam tirar cada centavo possível nessa “taxa do protagonismo”.

Alternativas estratégicas: Entre o scout e o risco financeiro

Felizmente, parece que o diretor José Boto e o próprio Filipe Luís também estão tentando opções baseadas em scout. Eles estão mapeando lacunas sem aquele desespero de quem precisa dar uma resposta imediata para a torcida. Eu aplaudo essa postura! Não faz sentido o clube se endividar para construir um estádio próprio e, ao mesmo tempo, queimar fortunas em transferências evitáveis. Se for comprar pagando caro, que invista em algum nome incontestável, para reduzir o risco de não dar certo.

De qualquer forma, o Flamengo tem que continuar investindo pesado em observadores técnicos para buscar talentos escondidos na América do Sul ou até mercados alternativos na Ásia, fugindo dos nomes supervalorizados, que custam “um rim”. Como ocorre no Cruzeiro, ondem especulam 171 milhões de reais em um atleta de 29 anos. O Flamengo é gigante, mas o dinheiro não nasce em árvore. É preciso equilibrar o apetite com a inteligência financeira. Se não houver esse pé no chão, teremos um time de estrelas, mas um cofre vazio para construir o futuro estádio.

E você, acha que o Flamengo deveria mudar a abordagem no mercado ou continuar forçando a barra com grana alta?

Renato Machado
Renato Machado
Rubro-negro, pai de dois filhos maravilhosos, formado em Publicidade e Propaganda, empreendedor na área comercial, apreciador de bons livros e escritor nas horas vagas. Tenho o propósito de conectar os leitores com a essência do Flamengo, compartilhando as alegrias de uma vitória, explorando os bastidores do clube e analisando as nuances do time. Caso tenha gostado do conteúdo, considere seguir meu canal na Twitch e acompanhar as lives que faço por lá.
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